terça-feira, 15 de novembro de 2016

O teatro do absurdo




O teatro do absurdo é um movimento artístico-cultural, espécie de gênero teatral, que descende, por assim dizer, do Surrealismo, o Antiteatro com influências do Expressionismo. Surgiu no começo da década de 1950 na França. O nome, dado em 1961 pelo crítico teatral húngaro Martin Esslin, é uma referência aos temas absurdos (fora da realidade) tratados nas peças deste gênero.
Esse tipo de teatro tem como principais características a linearidade de suas histórias, não é como um drama que tem seu clímax e nem como a comédia que é cheia de nuances Utiliza para a criação do enredo, das personagens e do diálogo elementos chocantes e ilógicos, com o objetivo de reproduzir diretamente o desativo e a falta de soluções em que estão imersos o homem e a sociedade.
Muito incompreendido esse tipo de teatro já foi considerado um sub-teatro por aqueles que não o entendem, mas estamos falando de textos que trazem de uma forma que se não fosse cômica seria trágica, ou visse verça a tragédia da vida humana.
Os principais autores de Teatro de absurdo são:

-Samuel Becket: o principal representante do teatro do absurdo. Escritor e dramaturgo irlandês é autor da famosa peça teatral Esperando Godot (1953).

-Eugène Iones: coescritor e dramaturgo romeno, autor de Vítima do dever (1953), O improviso da alma (1956) e Cena a quatro (1959).

Arthur Adamov – dramaturgo francês, autor das peças A invasão (1950) e A Paródia (1947).

Fernando Arrabal – escritor, dramaturgo e cineasta espanhol. Autor das peças Guernica(1959), A bicicleta do condenado (1959) e O grande cerimonial (1963).


Aqui vamos falar especificamente sobre uma obra de Samuel Becket, “Procurando Godot”


Sobre o autor



Vindo de uma família burguesa protestante, Becket foi um dos

Fundadores do teatro do absurdo e é considerado um dos principais

Autores do século 20. Fixou residência em Paris e escreveu a sua primeira novela,

“Dream of Fair to Middling Women”, que seria publicada somente depois

De sua morte. Durante sua vinculação à Resistência Francesa no período da Segunda

Guerra Mundial, em 1942 foi obrigado a fugir para Vichy, onde escreveu

parte da novela “Watt”. Entre 1951 e 1953 escreveu uma trilogia “Molloy”, "Malone Morre" e

“L’'Innommable”, cujo tema é a solidão do homem. Com "Esperando

Godot", Beckett iniciou, ao mesmo tempo que Ionesco, o teatro do

Absurdo. Posteriormente ainda escreveu, além de algumas obras narrativas,

Diversas peças teatrais, como “Fim de Festa”, “Ato sem Palavras” e "Os

Dias Felizes". Em 1969, Beckett ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Durante a vida

Escreveu poemas e textos em prosa, como romances, novelas, contos e

Ensaios, além de textos para o teatro, o cinema, o rádio e a televisão.



Procurando Godot





En attendant Godot ou Waiting for Godot, em inglês (À Espera de Godot em

Portugal; Esperando Godot no Brasil

Irlandês Samuel Beckett (1906-1989). Escrita originalmente em francês, foi publicada pela

Primeira vez em 1952 e apresentada no pequeno Théâtre Babylone em Paris, com direção

De Roger Blin (1907-1984). O Brasil foi o segundo país a ter uma montagem deste texto,

Com a direção de Alfredo Mesquita, em 1955. Beckett escreveu a peça em 1949 e só veio a publicá-la no ano de 1952, em francês.

Em 1955 Beckett realizou sua versão inglesa. Personagens da peça:

-Vladimir

-Estragon

-Pozzo

-Lucky

-Um garoto

A peça é dividida em dois atos. Nos dois atos, inicialmente contracenam dois

personagens: Vladimir (Didi) e Estragon (Gogo). Durante cada um dos atos, que são bem

Semelhantes, surgem dois novos personagens: Pozzo e Lucky. Além destes, entra em

Cena no final de cada ato um garoto.
 A rubrica inicial define: Estrada, árvore, à noite (Route à la campagne, avec arbre. Soir).                       

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Em cena Estragon e Vladimir. Aparentemente esperam um sujeito de nome Godot. Nada é

Esclarecido a respeito de quem é Godot ou o que eles desejam dele. Os dois iniciam longo

Diálogo, só interrompido quando da entrada de Pozzo e Lucky. Lucky carrega uma pesada

Mala que não larga um só instante. O segundo ato desenvolve a mesma dinâmica. O

Cenário é o mesmo, apenas a árvore está um pouco diferente, agora com algumas folhas.

Estragon e Vladimir iniciam sua jornada na espera de Godot. Surgem novamente Pozzo e

Lucky. Pozzo está cego e Lucky mudo. Após a partida destes, aparece novamente um

garoto anunciando novamente que Godot não virá, talvez amanhã. O diálogo final, que

encerra o ato e a peça é o seguinte:

Vladimir: Então, devemos partir? 

Estragon: Sim, vamos.

Eles não se movem.


Intertextualidade


O tearo do absurdo é um tipo de texto difícil de ser comparado com outros, não se parece com a comédia por ser linear e não ter as nuances necessárias e não se parece com a tragédia por não ter a famosa saga do herói; na verdade nesse texto não temos nem um herói.
Em "Esperando Godot" podemos ver muito bem isso; temos dois homens esperando alguém que nem sabem como é e nem sabe se virá. Apesar do autor negar muitos críticos dizem que Godot na verdade é Deus, porém podemos ter muitas interpretações sobre esse texto, podemos comparar Godot a felicidade por exemplo, ou até mesmo algo que você esteja esperando mais não sai do lugar para conseguir. A relação entre Lucky e Pozzo também pode ser levada em consideração, quantas vezes já nos subordinamos a alguém ou a alguma coisa que nos achamos que esta nós fazendo um favor? Ou o oposto, quantas vezes já colocamos o outro em posição inferior a nossa achando que nos estamos lhe fazendo um favor? A própria espera dos dois, a incapacidade deles de se separarem, de saírem dali, de até se matarem, isso tudo pode ser comparada a mesmice do nosso dia a dia, fazemos coisas que não sabemos porque estamos fazendo, e quando acontece algo de novo, não damos bola, não temos coragem de nós mexer para ver se algo novo acontece. E é nisso que "Esperando Godot" se conecta com a tragédia, essa peça mostra o drama da vida humana.
Essa peça pode ser comparada também a tragicomédia, que é um tipo de texto que de tão trágico é cômico. Dizem que quem inventou esse termo foi Plauto em uma peça chada " O Anfitrião", onde o prólogo diz :
“Primeiro vou dizer aquilo que vos vim dizer; depois vou revelar o argumento desta tragédia. Por que é que franziste o sobrolho? Por ter dito que seria uma tragédia? Sou deus, de modo que, se quereis, posso mudar já isto; farei que de tragédia passe a comédia, e exatamente com os mesmos versos. Quereis que sim ou que não? Mas que bobagem, eu que sou deus, estar sem saber o que vós quereis; conheço perfeitamente vossa opinião sobre o assunto. O que eu vou fazer é que seja uma peça mista, uma tragicomédia, porque não me parece adequado que tenha um tom contínuo de comédia a peça em que aparecem reis e deuses. E então, como também entra nela um escravo, farei que seja, como já disse, uma tragicomédia.”

Grupo: Alice Gotelip, Bruna Assis, Hugo França e Mariana Almeida

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Falando sobre Shakespeare, "Hamlet" e a Tragédia

        Shakespeare

           Biografia:
Nascido em 23 de abril de 1564, em Stratford-Avon, Inglaterra, William Shakespeare é considerado um dos mais importantes dramaturgos e escritores de todos os tempos.
Desde mais novo, já demonstrava grande interesse pela literatura e pela escrita. Com 18 anos, casou-se com Anne Hathaway, com quem teve três filhos.
Em 1591 mudou-se para Londres, buscando oportunidades na área cultural. Lá, começou a escrever sua primeira peça, “Comédia dos Erros”, em 1590 e só terminou quatro anos depois. Escreveu na mesma época aproximadamente 150 sonetos considerados os mais lindos de todos os tempos. Ainda assim, foi na dramaturgia que se destacou.
No ano de 1594, ainda em Londres, entrou para a Companhia de Teatro de Lord Chamberlain, onde escreveu tragédias, dramas históricos e comédias que marcam até os dias de hoje o cenário teatral.
Em 1610, o escritor retornou para a sua cidade natal, onde escreveu a última peça de sua vida, “A Tempestade”, finalizada somente em 1613.
No dia 23 de abril de 1616, veio a falecer de causa ainda não identificada pelos historiadores.
Os textos de Shakespeare fizeram e ainda fazem tanto sucesso por tratarem de temas próprios dos seres humanos, como: amor, relacionamentos afetivos, sentimentos questões sociais, temas políticos etc.

Principais obras:
- Comédias: O Mercador de Veneza, Sonho de uma noite de verão, A Comédia dos Erros, Os dois fidalgos de Verona, Muito barulho por coisa nenhuma, Noite de reis, Medida por medida, Conto do Inverno, Cimbelino, Megera Domada e A Tempestade.
- Tragédias: Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Julio César, Macbeth, Antônio e Cleópatra, Coriolano, Timon de Atenas, O Rei Lear, Otelo e Hamlet.
 - Dramas Históricos: Henrique IV, Ricardo III, Henrique V, Henrique VIII.

Frases famosas:
- Dê a todos seus ouvidos, mas a poucos a sua voz.
- Antes ter um epitáfio ruim do que a maledicência durante toda a vida.
- Ser, ou não ser, eis a questão.
- Sem ser provada, a paciência dura.
- As mais lindas joias, sem defeito, com o uso o encanto perdem.
- Pobre é o amor que pode ser contado.
- Nada me faz tão feliz quanto possuir um coração que não se esquece de seus amigos.


“Hamlet”

Um breve resumo:

A tragédia “Hamlet”, de Shakespeare, narra os acontecimentos na vida do príncipe da Dinamarca, também chamado Hamlet, após a morte de seu pai, o Rei Hamlet. Quando as coisas no castelo começam a mudar: o irmão do falecido Rei, Claudius, casa-se com sua cunhada já viúva, a Rainha Gertrudes, e torna-se o Rei da Dinamarca.
            Hamlet encontra-se com o fantasma de seu pai, após alerta de guardas e de seu fiel amigo Horácio. O fantasma diz a ele que foi assassinado pelo atual Rei, por ganância e pede que o filho o vingue.
            O príncipe assume papel de louco para disfarçar seu plano de matar o tio e, muitas vezes, acaba enlouquecendo de verdade e descobre coisas sombrias sobre a vida no castelo, que não haviam passado por sua mente pura. O Rei Claudius, desconfiado do sobrinho, queria entender a loucura de Hamlet, e manda seu braço direito, Polônio, investigar o que anda acontecendo. Mas Polônio pensa que Hamlet está apenas apaixonado por sua filha, Ophélia, e não é correspondido. Então, manda a moça procurar o príncipe, mas ele a rejeita e a maltrata, principalmente por estar enlouquecido.
            Quando um grupo de teatro chega ao castelo, Hamlet pede para que encene a morte do falecido rei como esse o havia contado. E durante a apresentação da peça, exatamente no momento em que Cláudio mata o Rei Hamlet, o Rei Cláudio se sente desconfortável e sai do ambiente. O príncipe, então, conclui que o tio é mesmo culpado e vai atrás dele para matá-lo.
            No entanto, Hamlet vê o tio rezando e resolve se vingar mais tarde. Enquanto isso vai para o quarto da sua mãe e conversa agressivamente com ela, julgando a rainha por ter se casado com o irmão, assassino, de seu pai. Porém, Polônio ouve tudo atrás das cortinas e quando faz um barulho, Hamlet assassina-o, pensando ser seu tio.
            Ao saber da morte de seu amigo Polônio, pelas mãos de Hamlet, o Rei decide mandar Hamlet para a Inglaterra, supostamente para missões diplomáticas. Porém o Rei vê que é ameaçado por seu sobrinho e está o enviando para, na verdade, ser executado. Para isso, manda, com ele, dois amigos que o entregariam à morte. O príncipe percebe a armadilha em que está e troca as cartas para que eles morram em seu lugar. No caminho, o barco em que Hamlet está é atacado por piratas e o príncipe oferece dinheiro para que eles o levem de volta a Dinamarca, para concluir sua vingança.
            Enquanto isso, Ofélia vai enlouquecendo também, por conta da morte de seu pai e da rejeição que sofreu por Hamlet. Ela acaba por se afogar, numa morte que supostamente foi suicídio.
            O Rei Cláudio se alia a Laertes, filho de Polônio e irmão de Ofélia, que acaba de retornar da França, para matar Hamlet. O Rei pede para que haja um duelo de esgrima entre Hamlet e Laertes e envenena a ponta da espada de Laertes. No entanto, Hamlet mostra arrependimento no enterro de Ofélia.
            No momento em que o duelo ocorre, o Rei também leva uma taça de vinho envenenada para Hamlet, caso esse vença e decida brindar sua vitória, para, assim, garantir a morte do príncipe.
            O duelo começa e Hamlet inicia vencendo. Com isso, a rainha bebe o vinho da taça envenenada, sem saber, para comemorar o sucesso do filho. Hamlet é golpeado pela espada envenenada e, sem querer, troca de espada com Laertes, que também acaba ferido pela própria espada. Em seguida, Laertes faz as pazes com Hamlet antes da morte dos dois e conta que o plano do Rei de envenenamento. Hamlet, então, fere o Rei com a espada e o força a beber também do vinho envenenado. Com isso, um morre atrás do outro: a Rainha e depois os três homens.
Entretanto Horácio, melhor amigo de Hamlet, sobrevive para contar a história e garantir que o príncipe Fortimbrás, da Noruega, assuma o trono dinamarquês. A tragédia termina com Fortimbrás chegando ao castelo.

            Personagens:

            - Hamlet: é o principal da história, protagonista, filho do defunto rei e sobrinho do rei reinante (Cláudio). Hamlet sofre de maneira intensa desde o início da tragédia. Ele não disfarça a tristeza, e faz questão de demonstrar todo o sofrimento com a perda do pai e com o casamento da mãe com Cláudio. Ele é muito dramático. É muito procrastinador. Além disso, é irônico e sarcástico (apesar de só conseguirmos entender essas ironias, se tivermos muita calma e paciência pra tentar entender, por causa da linguagem e das expressões da época.) Muito melodramático, tem aqueles monólogos imensos, em que ele reflete sobre a vida e sobre a morte. Ele finge de louco, mas no final, parece que sua saúde mental foi comprometida.
- Cláudio: rei da Dinamarca, irmão do rei Hamlet, que o matou para conseguir a coroa e a rainha.
- Rainha (Gertrudes): rainha da Dinamarca, mãe de Hamlet. A relação dela com o filho é de certa maneira turbulenta, desde que ela resolveu se casar com Claudio, que assassinou seu pai. Ele começa a sentir ciúmes de Claudio e acusa a mãe de mal lamentar ou sentir a morte do pai antes de casar com o tio.
- Polônio: é o primeiro-ministro, conselheiro do Rei Cláudio. É tipo o “espião” do rei, que está sempre de olho em todo mundo, camareiro-mor, pai de Ofélia e Laertes.
- Laertes: filho de Polônio, irmão de Ofélia, e está retornando de Paris para Elsinore. Acaba se juntando depois, no decorrer da peça, à Claudio, pra vingar a morte de seu pai.
- Ofélia: jovem da alta nobreza, filha de Polônio, par romântico de Hamlet. Ela é de certo modo muito dependente dos homens da vida dela: do pai, do irmão e do namorado. É uma personagem muito importante para a trama, assim como o Laertes. Ofélia apesar de parecer ser uma mulher totalmente submissa, não é: com o decorrer da obra nós percebemos que ela é inteligente, crítica de uma maneira sutil. Na referida peça, a personagem Ofélia morre afogada, num provável suicídio. A bela Ofélia, que amava Hamlet, vê-se privada do seu amor, passa a dar mostras de loucura após a morte do seu pai, Polónio, que fora assassinado por Hamlet. Enquanto Ofélia enlouquece, Hamlet apenas finge perder o juízo para conseguir vingar a morte do falecido Rei Hamlet, seu pai; e a sua melancolia forjada atinge tal grau que o leva a divagar sobre o suicídio.
Ao longo dos tempos o interesse de diversos pintores recaiu sobre Ofélia, mais precisamente sobre a sua loucura e morte nas águas. A predileção pela personagem, em detrimento de outras, é considerável: não há outra personagem de Shakespeare que tenha sido mais retratada na pintura. Desde 1740, quando se teve notícia das primeiras ilustrações da peça, ela foi retomada pelas artes plásticas como o arquétipo da donzela indefesa. Derivada do tipo feminino da noiva ou amada morta em plena juventude – tipo caro aos poetas românticos – representava um modelo espiritualizado e espectral de mulher.
- Horácio: é um grande amigo de Hamlet, que se moveu a Elsinore com o intuito de presenciar o funeral do pai de Hamlet.
- Osric: Cortesão que se veste excessivamente bem e com muitos enfeites. É a perfeita ilustração do verdadeiro “puxa saco”. Osric faz de tudo para agradar  Hamlet. Osric, assim como Polônio, conversa com Hamlet através de um linguajar elaborado seguindo um guia de comportamento com um bocado de regras para serviçais, impresso em 1528.
- Rosencrantz e Guildenstern: são amigos de infância e de escola do príncipe Hamlet. Foram chamados por Cláudio e Gertrudes, que desejavam alegrar o príncipe com a presença dos amigos, já que ele se encontrava melancólico pela morte do pai. São cortesãos assim como Osric
- Reinaldo: Reinaldo é servidor, criado de Polônio. Polônio envia Reinaldo a Paris para checar o que seu filho, Laertes, estará fazendo pela capital francesa.
- Fantasma: fantasma do rei morto que “volta” e aparece para Hamlet, seu filho, a fim de contar toda a história de sua morte e dizer quem fora o culpado. Volta para incitar Hamelt a se vingar do tio Claudio.
- Fortimbrás: é sobrinho do antigo Rei da Noruega, e atual Rei desse país. Ele também é filho do sênior Fórtinbras, que morreu num combate com o pai de Hamlet.
- Yorick: é citado pela primeira vez na Cena I do Quinto Ato. Yorick é um falecido bobo da corte. Não são dadas informações biográficas sobre ele. Seria um personagem ligado à infância de Hamlet. Ao ver o crânio de Yorick, Hamlet fala sobre os efeitos da morte sobre o corpo. No imaginário popular, o célebre monólogo de Hamlet "ser ou não ser", pronunciado na Cena I do Terceiro Ato, é frequentemente confundido com o momento em que Hamlet descobre o crânio de Yorick. Tal confusão deu origem a várias interpretações, nas quais o príncipe Hamlet segura um crânio na mão enquanto recita o monólogo. De fato, na peça, as duas cenas estão distantes.

            Sobre o livro:
            Hamlet foi escrito, por William Shakespeare, no século XVII. O livro é escrito em formato de peça teatral e é uma tragédia. A história se passa na Dinamarca e fala, principalmente, sobre vingança e loucura. 
É a obra dramática Shakespeareana mais adaptada e encenada nos palcos de todo o mundo, sendo uma das mais importantes e renomadas tragédias de Sheakespeare. Ao longo de toda a história do cinema, foram realizadas mais de setenta adaptações de Hamlet.
Acredita-se que a peça tenha sido baseada em uma lenda de fundo histórico chamada “Hamleto”.
O Castelo de Elsinor chama-se, na realidade, Castelo de Kronborg e foi palco, em 1916, para a peça “Hamlet”, marcando o 200º aniversário de morte de Shakespeare.
Uma curiosidade interessante é que o livro inspirou o filme “O Rei Leão”.

            “Hamlet”, uma tragédia:
Hamlet, como sabemos, é uma obra trágica, que contem personagens, enredo, espetáculo cênico, musica, elocução e pensamento.
Dois outros elementos essenciais para uma tragédia são a peripécia e o reconhecimento. Esta ultima, acontece quando um personagem toma conhecimento de algo que pode mudar o percurso da trama, como por exemplo, quando Horácio chega ate o príncipe Hamlet e o deixa a parte dos acontecimentos vividos por Bernardo e Marcelo, que afirmam ter visto a meia noite, um fantasma fisionomicamente parecido com o falecido rei, pai de Hamlet.
A peripécia, por sua vez, segundo Aristóteles, é um artificio empregado na tragédia com a intenção de apresentar acontecimentos que mudam o curso das ações. Na obra de Shakespeare, a peripécia acontece quando Hamlet decide ver o fantasma, e o reconhece como seu pai. É nesse momento, onde o fantasma do falecido rei pede a seu filho vingança por sua morte, que a reviravolta acontece. Este é um episódio de vasta importância, que desencadeia a tragédia final.
Existem ainda, outras características do gênero encontradas na obra, como por exemplo: a paixão, ou “pathos”, que se trata da morte do herói; desmesura, ou “hybris”, a soberba do homem que se acha capaz de desafiar os designíos do destino e a “hematia”, ou erro trágico, que produz a catástrofe. 


Grupo: Bianca Barros, Caroline Crovato, Luiza Vantine, Raissa Segantini e Rute Honório.

Seminário de Morávia e Sant'anna

O conto

Contos dispersos é um livro que reúne contos de Alberto Moravia entre os anos 1928 e 1951. Aqui, abordaremos o conto chamado “Recordações de Circe”.


Circe é, na mitologia grega, uma feiticeira muito poderosa. Dona de sua própria ilha e especialista em venenos, ela recebe visitantes e é famosa por transformá-los em animais.  No conto de Moravia, o narrador da história é Euríloco, companheiro de Ulisses. Ulisses é protagonista da Odisséia, poema épico da Grécia Antiga. Diferente da história contada originalmente, o conto traz os acontecimentos de forma mais crítica e com uma visão nova.
Em “Recordações de Circe”, o narrador personagem deixa claro, primeiramente, que a feiticeira não transformou os homens em porcos com uma varinha e um passe de mágica. A transformação acontece aos poucos. Euríloco conta que é uma característica do lugar que mora Circe que todos os homens, que não são dignos de permanecerem homens, devido a fraquezas ou vícios, virem porcos. Além disso, afirma que nenhum homem percebeu o que estava ocorrendo. A maioria virava porco acreditando estar evoluindo.
O processo foi lento, mas era perceptível. O primeiro passo veio com banhos de lama. Os homens afetados faziam isso como se fosse algo natural e diziam para os demais que aquilo era algo dos deuses. Assim, chamavam pelos companheiros e era perda de tempo tentar tirá-los de lá. Em seguida, o gosto por comida mudou, começaram a comer cascas e restos. Novamente, como se fosse normal. O terceiro fator foram os grunhidos.
Euríloco conta que uma noite todos os homens estavam reunidos antes da hora de dormir. Nesse momento, brincando, um dos presentes se pôs a imitar o som de vários animais como bois, cavalos e cachorros. Todos riram e se divertiram até o homem começar a imitar porcos. A imitação foi feita perfeitamente e com muito prazer. O rapaz se colocou de quatro e seguiu agindo como porco dali em diante.
Logo, o narrador personagem evidencia que, no momento da metamorfose, os homens já eram porcos em tudo, só lhes faltava o rosto, a forma em si. A transformação aconteceu quando todos estavam reunidos à mesa para o almoço. Circe em seu trono em uma ponta e Ulisses na outra. Diante dele, havia uma travessa com um leitão assado inteiro. Ulisses, então, levantou-se para cortar o animal e, no mesmo instante, uma serva passou pela janela com recipientes. Neles, havia lavagem para os porcos.

Um dos homens, quando a avistou, gritou e saiu da mesa. Rapidamente, pulou a janela e atacou a lavagem. Comeu aquilo com prazer e alegria. Euríloco, assustado, olha para os companheiros e, para seu espanto, observa neles um olhar de desejo. Os homens, então, largaram o banquete e se entregaram a lavagem. Assim, a metamorfose aconteceu. Circe, sem mover-se em seu trono, bate três vezes as mãos. No fundo do pátio, o pastor de porcos surge e encaminha os, agora, porcos para as pocilgas.


Os Autores

Alberto Morávia é um pseudônimo de Alberto Pincherte, que trocou seu nome por morar na Itália em período em que governos fascistas a conduziam,  e seu nome ser de origem judaica. Lutou através de seus textos contra o fascismo, quando se mudou para os EUA e passou a denunciar o governo italiano. Acreditava na necessidade de haver coerência entre a literatura e a militância política. Porém, criticava a modernidade, o desmoronamento das tradições, a melancolia, a incapacidade de amar e a obsessão pela sexualidade.
Nosso grupo analisou seu conto como parte de suas críticas aos tópicos anteriores, principalmente a modernidade. Sabendo que Morávia tinha origem em uma família rica, dá pra se imaginar que sua concepção de classe é um tanto quanto elitista, e considerando o contexto dos textos escritos no livro “Contos Dispersos” que foi dos anos 1928 até 1951, em que tínhamos a polarização mundial entre comunistas e capitalistas, podemos interpretar os porcos como pessoas que possuíam ideologias diferentes das dele.
Os porcos no conto “Recordações de Circe” são pessoas com uma realidade diferente dos que não foram afetados pela magia de Circe, eles alegam ter uma sensibilidade diferente e não precisar consumir do melhor e mais puro. Talvez, essa rebeldia seja o caso dos burgueses e integrantes da elite que se aproximaram cada vez mais dos pobres, renunciando suas riquezas, reconhecendo e convivendo com a realidade da maioria da população. Essa é apenas uma das várias interpretações possíveis, mas é importante lembrar uma parte do texto de Moravia em que os “porcos” chamam os “humanos” de preconceituosos por não aceitarem a realidade deles. Talvez não estejamos julgando todos os diferentes como porcos e inferiores?


Affonso Romano de Sant’anna, diplomado em letras neolatinas pela UFMG foi participante ativo de movimentos de poesia nos anos 50 e 60 no Brasil. Sendo, em 1990, considerado pela revista “Imprensa” como um dos 10 jornalistas que mais influenciaram a opinião do país. E assim como Morávia se prendeu fortemente às suas ideologias e em sua crônica “A Cegueira e o Saber”, mostra forte negação às que vieram em momentos posteriores.
Não sabemos em qual classe social sua família estava inserida, mas considerando as possibilidades que teve na juventude em uma época em que o Brasil passava por algumas dificuldades, não é impossível que fosse classe média ou alta. E por isso compactuava com as mesmas ideias que Moravia, sendo inclusive um pouco ainda mais agressivo em seus textos, provavelmente por ter sido jornalista e manter relação mais próxima do público que o lê.


Parte Técnica

O texto de Alberto Moravia pode se encaixar no gênero de conto por ser uma narrativa curta, que contém apenas um conflito e geralmente passa uma moral em seu fim. Afonso Romano de Sant'anna escreveu uma crônica que cita o texto de Moravia e se encaixa no gênero de crônica pois apresenta opinião do autor e faz uma crítica à sociedade.


Grupo responsável pela apresentação: Luiza Curityba, Fernanda Bonfim, Henrique Pfister e Joana Campos

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Édipo, Hamlet e Godot: a tragédia ao longo dos tempos

A palavra drama significa ação. Sendo assim, chamamos de gênero dramático o conjunto de obras literárias que são escritas para a encenação, isto é, personagens que realizam ações sob um palco. Em textos narrativos, geralmente, há uma maior abundância de narração e descrição, com o diálogo possuindo papel apenas secundário. Já nos textos dramáticos, as falas dos personagens carregam informações primordiais e não há necessidade de descrição, uma vez que existem recursos visuais, como maquiagem, figurino e cenografia, que assumem essa função. O gênero surgiu na Grécia antiga, nos cultos a Dionísio (deus da fertilidade e da alegria), onde havia celebrações com coros, cantos e danças, que depois vieram a ser incorporados ao teatro. O espetáculo era representado por três atores, que desempenhavam todos os papéis usando máscaras, e os teatros eram construídos ao ar livre. Mais informações sobre o gênero dramático podem ser encontradas nesta página.
A tragédia, segundo apontou Aristóteles em sua "Arte Poética", deve ter uma estrutura clara com o momento em que inicia a ação, o clímax, e a resolução. Nessa estrutura, a resolução deve resolver os problemas que criaram o conflito inicial, e o clímax deve fazer com que a ação chegue ao momento máximo de tensão. Aristóteles também pensava que uma peça trágica deve ser autossuficiente e não deixar que a trama seja determinada por elementos externos, como a coincidência.


 A principal característica de uma tragédia é a presença de um herói trágico, que possui uma posição de grande renome e responsabilidade. O herói deve cair a partir dessa posição, sua queda deve vir de uma falha trágica, uma característica negativa da personalidade do indivíduo. Aristóteles também ressaltou a importância da unidade de tempo, lugar e ação. Segundo ele, a trama deve acontecer em um único intervalo contínuo de tempo, em um mesmo lugar e acompanhando uma mesma ação, cujo fim determina também o fim da peça. 
A peça Édipo Rei, de Sófocles, é considerada por Aristóteles, a tragédia perfeita. Nela, o rei Édipo investiga o assassinato de Laio, o rei anterior. Toda a ação é relacionada à investigação e se desenrola na frente do palácio,com a duração de um dia, o que confere à peça unidade de espaço, tempo e ação. Laio, que descobrimos depois ser pai de Édipo, é casado com Jocasta e, ouvindo uma profecia que anunciava o destino que depois vemos se concretizar, manda que alguém mate o bebê. Entretanto, a criança é levada e criada por outra família em uma cidade vizinha. Sendo assim, Édipo é um herói trágico por definição, tendo como falha trágica seu orgulho, que faz com que, sem saber, mate seu próprio pai e se case com a própria mãe, cumprindo a profecia anunciada anos atrás a Laio, por Apolo e, a Édipo, por um oráculo; e que ele tentava a todo custo evitar. Ao final, Jocasta se suicida e ele fere os próprios olhos, se tornando cego e, então, alcançando uma sabedoria que não possuía quando ainda tinha a visão.
Retomando a ideia presente na Poética de Aristóteles, segundo a qual a tragédia surgiu do coro trágico e que em sua origem ela era, inclusive, só coro; Nietzsche afirma em seu O Nascimento da Tragédia, que esta nasceu do espírito da música, do coro entoado por um cambaleante grupo de adoradores de Dionísio, que foi posteriormente incorporado à representação dramática, por meio da qual Ésquilo e Sófocles criaram a arte da tragédia. Aos olhos dele, a tragédia grega, com essa representação, é a forma artística por excelência, pois foi construída sobre o limite exato entre música e drama. 
Se com Ésquilo a tragédia grega havia alcançado seu apogeu; esta chegou à decadência com as peças de Eurípedes, pois nelas passou-se a privilegiar os procedimentos racionalistas em detrimento do mito. Eurípedes introduziu na apresentação das peças trágicas um prólogo que tinha por objetivo "situar" o espectador na trama da peça. Além de destruir o efeito trágico, este procedimento operou a dissolução do palco grego trágico, pois abriu espaço para o espectador ocupar a cena. A partir daí, os motivos e temas divinos foram perdendo espaço e entram em cena as questões cotidianas. Alguns historiadores, inclusive, consideram que este foi o fim da tragédia propriamente dita, pois, de acordo com eles, essa deveria ter relação com o divino; sendo Jesus Cristo, dessa forma, o último herói trágico da história.
William Shakespeare (1564 -1616)
Entretanto, o que podemos perceber é uma evolução na estrutura trágica, com a sobrevivência do gênero a partir de algumas transformações. Com Shakespeare, por exemplo. observamos um aprimoramento na construção das cenas e dos personagens. O palco agora recebe mais atores, ao invés de apenas os três das tragédias gregas. Além disso, os personagens são muito mais trabalhados psicologicamente, com conflitos internos e questões existenciais. Tomando a peça Hamlet como exemplo, nós temos a história de um príncipe que investiga a morte do rei, seu pai, que fora envenenado. Assim como Édipo, Hamlet está tentando solucionar um assassinato. Porém, na peça de Shakespeare, não temos a presença de aspectos míticos, como deuses que influenciam e intervêm na vida do personagem. O mais próximo disso que pode ser apontado é a figura do fantasma do rei que surge para ele e o coloca num caminho de vingança contra Cláudio, o rei atual. 
Essa vingança vem a causar uma série de mortes, inclusive a do próprio Hamlet pois, como Édipo tinha o orgulho, a falha trágica de Hamlet é a hesitação. Após ser impelido a realizar sua vingança, ele não a segue de uma só vez, sempre receando e hesitando, o que vem a complicar a já complicada situação em que se encontra. Essa atitude também salienta o fato dele ser o agente causador de seu destino, pois não realiza a vingança imediata segundo a sua própria vontade, diferentemente das tragédias gregas em que, por mais que esforços sejam feitos, não se pode fugir do destino traçado pelos deuses.


"Ser ou não ser?", cena da famosa frase de Hamlet
Avançando ainda mais no tempo, vemos as obras de Shakespeare e as tragédias gregas rodarem  o mundo ao mesmo tempo que, com as movimentações artísticas do século XX, surgem novas interpretações e visões das tragédias e do texto dramático, em geral. Questionando a linguagem, o surrealismo nasce no períodos das grandes guerras, quando a Europa estava arrasada e a população vivia numa tensão constante. Valorizando os processos do inconsciente e a estética dos sonhos, a arte surrealista brincava com a lógica com o intuito de provocar uma reflexão. No teatro, esse movimento se manifestou no que ficou conhecido como Teatro do Absurdo. Despojado de convenções, cruelmente poético, arbitrário e imaginativo, esse tipo de teatro rejeitava a estrutura lógica, o desenvolvimento dos personagens e o pensamento do teatro tradicional. Diferentemente da estrutura rígida proposta por Aristóteles, o texto não precisa apresentar uma história, nem enredo; não  precisa haver um começo e nem um fim. 
Samuel Beckett (1906 - 1989)
Uma referência dessa vertente é Samuel Beckett, que era extremamente pessimista e ficou conhecido pela falta de sentido geral de seu diálogo. Ele é o autor da peça Esperando Godot que, dividida em dois atos, conta a história de dois personagens, Vladimir e Estragon, que aguardam a chegada de "Godot", um terceiro personagem que apenas é citado durante a peça, mesmo sem saber quem ele é ou o motivo de toda a espera. Enquanto aguardam a chegada de Godot - que nunca acontece - os personagens conversam entre si de maneira ilógica e tentam matar o tempo de inúmeras maneiras, inclusive se matando, mas parece que uma força maior os impede de tomar qualquer decisão definitiva, permanecendo numa inércia que se mantém durante toda a peça. Existem ainda alguns outros poucos personagens que ajudam a criar esse ambiente surreal e estranho. Nesse tipo de teatro já não temos mais convenções a seguir. Não há um herói trágico ou sequer um conflito principal que resolva a história toda. No caso de Esperando Godot, até as unidades de tempo e espaço são ignoradas, pois não se sabe a duração exata dos acontecimentos que se seguem e nem a localização exata dos personagens. Há uma unidade de ação, marcada pela espera de Godot, mas até essa ação é despropositada e a peça termina sem que ela se conclua.


Através dessas três peças, é possível se perceber a diferença no tratamento do texto dramático ao longo das épocas. Surgido da música, o teatro depois se emancipou e seguiu seu próprio caminho. A tragédia, que foi o foco deste texto, é citada como a melhor expressão do drama, mas há também peças cômicas, que buscam alcançar o riso, ou ainda peças que mesclem esses dois estilos. Na Grécia, a tragédia tomou formas que se tornaram canônicas e que são seguidas até os dias de hoje, influenciando inclusive, o cinema e a televisão da atualidade. Ao longo dos anos, muitas outras formas de escrever e representar sugiram e foram aprimoradas, resultando em diferentes vertentes de dramaturgia. Independente de suas diferenças, os textos dramáticos são sempre calcados na ação e escritos para existirem sobre o palco, através de atores, na realização de um espetáculo.


Grupo: Ana Carolina Rezende, Caique Cahon, Gustavo Furtuoso.